Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira

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  • Título: Cartas de Amor aos Mortos
  • Autora: Ava Dellaira
  • Editora: Seguinte
  • Número de páginas: 337
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: 3 estrelas

Sinopsetudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger…apesar de ela jamais entregá-las à professora. O que parecia uma simples lição de casa logo se transforma na maneira de Laurel lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com a família despedaçada depois da morte da irmã.

Entrei em contato com esse livro pela primeira vez em um evento da Editora Seguinte e fiquei super animada para ler logo que vi o título. Meses se passaram e eu estava na expectativa, até que ganhei de aniversário. Já tinha visto várias resenhas positivas sobre esse livro e acho que fui com as expectativas meio altas, e sei que esse é o primeiro romance da Ava, mas não pude deixar de ficar decepcionada.

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A primeira coisa que tenho a comentar é que esse livro tem inúmeras semelhanças com As Vantagens de Ser Invisível, que é uma das minhas obras favoritas. Não acho errado um livro ter semelhanças com outro, porque sei que é quase impossível um autor ter uma ideia que seja 100% original, mas as similaridades eram tantas que me incomodaram. E comecei a questionar qual foi a participação do Stephen Chbosky nessa história, já que ele foi mentor da Ava Dellaira enquanto ela escrevia o romance.

Abuso sexual, relacionamento homossexual, personagens principais extremamente ligados a alguém que já morreu e se culpam por essa morte, agressão física. Todos esses temas são abordados em ambos os livros e em situações bastante parecidas. Mas diferentemente de Chbosky, a Ava não soube dar uma boa finalização para todos esses temas. Alguns foram resolvidos de forma muito abrupta ou superficial, o que para mim fez com que o livro perdesse pontos.

A protagonista tem muitas falhas, mas duas me incomodaram especialmente: ela se coloca em muitas situações de perigo desnecessárias apenas para ser “salva” pelo mocinho da história, o Sky. Falando nele, achei que a Ava explorou pouquíssimo do potencial do personagem, ele acaba de tornando muito superficial e não faz sentido para o leitor o porquê de a Laurel ser tão apaixonada por um garoto que ela não conhece de verdade. O outro ponto que me incomodou foi a obsessão quase psicótica que a Laurel tem pela irmã dela. A maior parte do livro ela passa se comparando à irmã, lembrando das atitudes dela, querendo chegar ao estado de perfeição que ela achava em que a May vivia.

Com relação à estrutura: senti falta de datas nas cartas, assim o leitor teria mais facilidade em se situar em que época do ano ela estava. Também achei que a Ava quis passar que o livro era “cult” e colocou mil referências aos anos 80 e 90, até no modo que os personagens agiam, e para mim ficou meio forçado.

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Apesar de todas essas coisas que eu falei, o livro não é de todo ruim. É uma leitura fluida e bem simples, boa para passar o tempo. A protagonista, apesar de passar boa parte do livro tentando alcançar o estado de perfeição da irmã, no final acaba reconhecendo que todos temos falhas, o que é bem bacana.  Em suma, minha opinião sobre Cartas de Amor aos Mortos é: uma boa proposta, mas que não foi bem desenvolvida. Os direitos da obra já foram comprados para o cinema e estou esperando ansiosa por um filme com uma boa trilha sonora.

Por hoje é só. Até mais! /Jadeh

 

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