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O Fantástico Sr. Raposo: animais selvagens e individualidade

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Oi! Depois de tanto tempo de postar a resenha de Mad Max (você pode clicar aqui para conferir o post), vim falar sobre outro filme que assisti e gostei demais! Nesse ano de 2016 estou com uma vibe de assistir a vários filmes, e O Fantástico Sr. Raposo foi, provavelmente, o meu favorito até agora. Para começar, é baseado em um livro do mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate, que é um dos meus filmes favoritos. Isso já me fez ficar bem mais animada. Além de ser um filme do Wes Anderson, que dispensa comentários. E os dubladores são maravilhosos! O Sr. Raposo é dublado pelo George Clooney, e a sua esposa pela Meryl Streep.

O filme conta a história do Sr. Raposo, que, após receber a notícia de que vai ter seu primeiro filho, promete a esposa parar com as “atividades de raposa”, que incluem principalmente roubo. Dois anos depois, cansado de viver com sua família em um buraco na terra, o Sr. Raposo compra uma casa em uma árvore. Tudo parece perfeito, até que três donos de empresas próximas despertam novamente os instintos de raposa nele, e muitas coisas ruins começam a acontecer.

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Há tantas coisas que eu gostei nesse filme que é até difícil começar a falar. Os filmes do Wes Anderson, pelo menos os que eu já assisti, tem características que te deixam com um quentinho no coração. A escolha de cores, quase todas sendo cores quentes, dão uma sensação de aconchego, a organização dos elementos em cena, e a história, tudo isso contribui para um filme super fofinho e divertido!

Uma das coisas que eu mais gostei foi que, no filme, todos os animais agem como pessoas. Eles tem empregos, problemas com a vida, mas as vezes ainda agem como os animais selvagens que são. O maior exemplo disso é quando o Sr. Raposo quer comprar a casa na árvore e seu advogado, o Texugo, acha que não é um bom negócio. Até então, eles estavam agindo como pessoas adultas, mas em dado momento começam a brigar fisicamente, como animais da floresta.

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O enredo secundário que eu achei mais interessante foi o do filho do Sr. Raposo, Ash, pois trata de um tema universal: ser diferente, deslocado. Ash sempre fica tentando ser motivo de orgulho para os pais, mas nunca consegue se igualar ao primo, Kristofferson, que é mais bonito, mais inteligente e mais atlético. Mas o filme nos ensina a aceitarmos as nossas singularidades e sermos felizes, pois ninguém é igual a ninguém, todos temos coisas boas e ruins.

O filme está disponível no Netflix, para quem tiver interesse em assistir. Aqui o trailer, para dar um gostinho:

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

 

Magnus Chase e a Espada do Verão

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  • Título: Magnus Chase e a Espada do Verão
  • Autor: Rick Riordan
  • Ano de lançamento: 2015
  • Número de páginas: 448
  • Editora: Intrínseca
  • Nota: Três estrelas
  • Sinopse: “Desde a misteriosa morte de sua mãe, ele tem vivido sozinho nas ruas de Boston, sobrevivendo por sua inteligência, mantendo-se um passo à frente da polícia e dos guardas preguiçosos. Um dia, ele é encontrado por um tio que ele nunca conheceu — um homem que sua mãe dizia ser perigoso. Seu tio lhe conta um segredo impossível:
    Magnus é filho de um Deus Nórdico. Os mitos vikings são reais.
    Os Deuses de Asgard estão se preparando para a guerra. Trolls, gigantes, e monstros piores estão agitados para o dia do juízo final. Para evitar Ragnarok, Magnus deve procurar pelos Nove Mundos uma arma que foi perdida há milhares de anos. Quando um ataque de gigantes do fogo obriga-o a escolher entre a sua própria segurança e as vidas de centenas de inocentes, Magnus toma uma decisão fatal:
    Às vezes, a única maneira de começar uma nova vida é morrer…

Olá! Finalmente estou postando resenha depois de tanto tempo. Li Magnus Chase para participar do Clube do Livro Intrínseca, na Livraria Cultura, e preciso dizer que tive ótimas discussões nesse grupo, pois cada um trouxe pontos diferentes da história que nem todos haviam percebido e opiniões diversas.

O que dizer sobre o livro? Se você já leu Rick Riordan, sabe qual a “receita de bolo” que ele usa para escrever suas histórias. Um garoto que um belo dia sofreu um ataque de criaturas divinas e descobre que é filho de um deus de uma certa mitologia – no caso, nórdica. Não há como esperar mais que isso, pois o Rick há muito tempo mostrou que assim que ele vai prosseguir com seus livros, e sabem de uma coisa? Isso vende bastante, principalmente entre os fãs da geração Percy Jackson.

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O Magnus é um personagem bem comum, por vezes divertido, mas algumas coisas me incomodaram nele, como o fato de ele não agir de acordo com a idade que tem. Magnus já tem 16 anos no início do livro, mas ele age como alguém de 11 ou 12 anos, o que me irritou muito. Não era apenas no quesito de tomar atitudes sem pensar antes, mas até as piadas e o linguajar condizem com o de uma pessoa bem mais nova. Outro ponto negativo na narrativa é que, por muitas vezes, aconteciam coisas absurdas e que o autor não teve o cuidado de explicar como essas coisas ocorreram. Era do tipo “Estava desesperado lutando contra um monstro vinte vezes mais forte que eu. Mas, não sei como, consegui derrubá-lo com um golpe de espada.”

Minha personagem favorita, definitivamente, foi a Samirah. Ela é uma valquíria que se torna amiga do Magnus, e o ponto mais interessante da história dela, para mim, foi a religião. Sam é uma personagem árabe, que respeita muito seus costumes e ama sua família, mas não deixa de ser forte e presente durante toda a história. Quanto a mitologia, foi, de todas que o Rick já escreveu sobre, a que mais gostei. Não sabia absolutamente nada sobre ela, diferentemente da egípcia e da grega, e achei que ele a apresentou de forma clara e bastante didática.

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Minhas conclusões sobre Magnus Chase: um livro bacana para passar seu tempo quando você não tiver nada a fazer. Mas é apenas isso, eu o li e não me marcou de forma alguma, nem se destacou em nenhum ponto. Apesar disso, não é um livro ruim.

Bom, é só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

 

Mad Max: crítica social e corrida de carros

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Olá! Há quanto tempo não posto por aqui, não é? Pois bem, vim aqui hoje para falar de algo diferente. Vim falar sobre o filme que está fazendo muito sucesso nos cinemas atualmente.

Ontem (16/06) assisti ao filme Mad Max com a Alba do Blog Trampoline. Confesso que não estava muito animada, pois filmes de corridas de carros não me atraem nem um pouco. Apesar disso fui, e fico feliz que fiz isso, pois fui bastante surpreendida. Há corrida de carros? Sim, a história inteira se passa em meio a uma enorme corrida de automóveis, mas é bem mais que isso. A crítica social ao jogo de poder, o futuro da humanidade e a evidente representação de fortes figuras femininas foi exatamente o que fez com que eu amasse o filme.
Para localizar àqueles que não assistiram ainda, Mad Max se passa em um futuro distópico em que a água e o petróleo quase desapareceram e a guerra por estes bens é intensa. Max é capturado por uma comunidade sob o governo ditatorial de Immortan Joe. A trama do filme gira em torno de um fato inusitado: Furiosa, a filha de Immortan Joe, “rouba” as esposas dele e foge com elas, a fim de libertá-las. A partir disso, o líder e seus Garotos de Guerra iniciam uma corrida mortal atrás de Furiosa, e Max está no meio disso, ainda como prisioneiro.
Achei a direção desse filme bem diferente, pois as cenas são bastante extensas e demora um pouco a haver de fato uma introdução de tudo o que está acontecendo. O espectador logo de início já é jogado no meio dessa guerra frenética e custa bastante a conseguir se situar. Contudo, acho que foi uma jogada do diretor para chocar o espectador. Uma das cenas que mais me marcou no filme foi logo em seu início, quando Immortan Joe reúne sua comunidade e libera as comportas de água. As pessoas correm desesperadamente, pulando umas sobre as outras para conseguir um pouco do líquido. Rapidamente seu líder fecha as comportas e diz “Não se viciem na água”, pois ela se tornou um bem privatizado e escasso, e todos sabem que Joe utiliza a posse como forma de se manter no poder. Para mim foi uma cena extremamente chocante e necessária. A crítica social sobre como a humanidade está caminhando e pode acabar culminando em uma realidade como essa é tratada durante todo o filme.
Outro ponto muito interessante de ser comentado é o feminismo retratado na história, mesmo que por vezes controverso, de forma bem forte. Muitos consideram Furiosa, filha do líder ditatorial, a representação da força feminina em Mad Max, mas considero que seja bem mais que isso. As esposas de Immortan Joe também possuem muita garra. Apesar de terem se libertado de sua condição apenas com a ajuda de Furiosa, sem seu próprio esforço, força e recusa de permanecerem como escravas não teriam sobrevivido muito. “Nós não somos coisas”, elas repetem durante a narrativa, um mantra que as ajuda a continuar em sua árdua jornada.
Embora trate de temas tão relevantes quanto os citados acima, sinto que a maior parte dos espectadores não vai absorver isso. Como já disse, é um filme de ação, corrida de carros e tiros durante as suas duas horas de duração, e maioria dos que assistirem provavelmente irá focar apenas na parte de entretenimento da obra. Apesar disso, é um filme que me surpreendeu bastante e merece ser discutido.

Aqui o teailer para quem se interessou:

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

It, da Alexa Chung

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  • Título: It
  • Autora: Alexa Chung
  • Ano de lançamento: 2013
  • Editora: Penguin
  • Número de páginas: 192
  • Nota: 3 estrelas

Sinopse: “Em It, seu primeiro livro, o ícone fashion mundialmente conhecido, Alexa Chung, compartilha suas inspirações pessoais e seu eclético senso de estilo. Uma verdadeira compilação dos escritos, desenhos e fotos de Alexa, It combina histórias de suas inspirações de estilo desde bem cedo, como seu avô e as Spice Girls, discussões sobre figuras de obsessão como Jane Birkin e Annie Hall, e reflexões sobre corações partidos, como se vestir pela manhã, os desafios de se tirar uma boa selfie, e mais. Intercalado com páginas dos diários de Alexa e várias fotos de noites fora, seu livro aparece em tecido de verdade, com as páginas do final de mármore artesanal cobertas de poá, o topo listrado e luxuoso papel aveludado. Espirituoso, charmoso e com um uma atitude realista, It é um item necessário para qualquer um que ame moda, se preocupa com crescer, ou apenas ama tudo relacionado a Alexa Chung.

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Desde seu lançamento, estava interessada em ler esse livro. Não sabia muito sobre sua premissa, e nem sou muito “antenada” em moda, mas por algum motivo sempre simpatizei com a Alexa Chung. Não sei se por ter um estilo bem despojado e simples, ou se por ter namorado com o Alex Turner, o fato é que queria saber mais sobre a vida dessa britânica que por algum motivo se tornou ícone mundial. Confesso que a vida dela sempre foi um mistério para mim: eu não sabia (e ainda não sei) o que Alexa faz. Ela é ex modelo, ex apresentadora, ex tudo, mas não é nada atualmente. Queria desvendar a fundo essa personalidade do mundo da moda, e justamente por isso me decepcionei, pois It revela apenas fatos completamente superficiais sobre a Alexa.

O livro vai abordar diversos assuntos, como ícones de moda, música, aspirações, corações partidos, mas sem nenhum aprofundamento. Alexa faz um enorme esforço para parecer “cool”, mostrando que gosta de filmes e artistas desconhecidos, mas sinceramente isso não me revela nada sobre sua personalidade. Se sua vida parecida um mistério quando comecei a leitura, pareceu ainda mais quando terminei, sem saber se a imagem que ela passou em seu livro era real ou apenas uma representação do que quer que as pessoas pensem dela.  Para mim estava sendo uma obra irrelevante, até o momento em que Alexa começou a tocar em assuntos mais sérios, sobre a importância de ter aspirações em sua vida, mas tangenciou o tema para noites de karaoke e me decepcionou profundamente.

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Assisti a um entrevista em que Alexa diz que escreveu It em apenas uma noite (antes das edições), em forma de email, o que para mim foi uma das justificativas para a superficialidade toda. Em suma, é um livro que não vai acrescentar nada em sua vida, e se você quiser saber mais sobre a vida dela, recomendo que procure em páginas da Wikipedia e veja seu histórico de carreira. O aspecto positivo sobre It é sua arte gráfica, que é muito bem feita, dando aquele aspecto bem “Tumblr”, com fotos vintage.

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É só isso por hoje, até mais! /Jadeh

Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

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  • Título: Eleanor & Park
  • Autora: Rainbow Rowell
  • Número de páginas: 325
  • Editora: Novo Século
  • Ano de lançamento: 2013
  • Nota: 3 estrelas

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Eleanor & Park é sem dúvida alguma o livro que mais me deixou com sentimentos conflitantes até hoje. Eu não posso afirmar com convicção que gostei da obra ou que odiei, mas garanto que foi um dos maiores marcos da minha jornada literária.

Rainbow Rowell nos apresenta dois personagens principais e a história se desenrola a partir do ponto de vista de ambos. Alternando o narrador a cada capítulo, descobrimos os pensamentos de cada um e exploramos o desenvolvimento deste primeiro amor que começa de maneira sutil.

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Enquanto Eleanor se mostra bastante tímida e retraída, Park é educado, atencioso e inteligente. Juntos eles tentam achar uma maneira de fazer o relacionamento dar certo apesar de suas realidades serem muito distintas e da falta de apoio por parte da família da jovem.

A história flui de maneira simples e não se torna uma leitura cansativa. No entanto, se você é fã de finais felizes, possivelmente Eleanor & Park não seja o livro para você. Os últimos capítulos têm muita informação e deixam a desejar com um final um tanto inconclusivo e a quebra da expectativa que tínhamos para o casal. Eleanor se torna bastante incoerente, o que me incomodou um pouco.

Hoje, meses após o final da leitura, ainda não sei dizer se gostei ou não do romance de Rowell e toda vez que tento reler acabo me sentindo inquieta e agoniada durante dias. Até eu decidir como realmente me sinto em relação a este livro, ele fica classificado como uma das minhas (muitas) desilusões literárias.

Por hoje é só, até mais! / Vick

Mentirosos, da E. Lockhart

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  • Título: Mentirosos
  • Autora: E. Lockhart
  • Editora: Seguinte
  • Número de páginas: 270
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: cinco estrelas
  • Sinopse: “Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular, com mansões repletas de objetos caros e inúteis e varandas com vista para o mar. Enquanto as três irmãs disputam constantemente a herança do pai, os mais jovens tentam ignorar as discussões e apenas se divertir. Cadence – a neta primogênita e principal herdeira – ,seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Gat é o único que não pertence à família e, ao contrário do esteriótipo Sinclair (jovens brancos, altos, loiros e perfeitos), tem ascendência indiana e, não por acaso, é o único a questionar aquela vida de privilegiados. Cadence se encanta com ele desde o início e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso e de diferentes convicções políticas evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão dos quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

Essa é a resenha mais difícil que já escrevi desde o início do blog por dois motivos:

1) Eu não estava dando muita coisa por essa história, e o livro me impactou de tal forma que estou até agora naquele estado de não saber o que fazer com a minha vida daqui para frente.

2) Não posso revelar nada do enredo além da sinopse porque essa é uma história que se sustenta pelo mistério e pela surpresa. Qualquer detalhe a mais estraga a experiência do leitor, tentem ao máximo não pegar spoilers.

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O último livro que havia me deixado dessa forma foi Princesa Mecânica, da Cassandra Clare, mas por motivos completamente diferentes dos que são apresentados em Mentirosos. É um livro curto, mas E. Lockart tece uma história muito densa, em que você lê oito páginas e tem a impressão de ter lido quarenta. E não pela leitura ser entediante, mas pela quantidade de conteúdo colocado em cada página. A autora soube condensar muito bem a história, o livro tem o tamanho perfeito, não senti que faltou ou sobrou nada. Além disso, descobri que ela é uma ótima escritora de mistérios, porque é como se ela tivesse esmagado todas as minhas teorias com uma pedra. Nada do que eu pensei estava certo.

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Outro aspecto que me agradou muito foi a escrita. Tenho absoluta certeza que, apesar a reviravolta que há no livro, se não fosse escrito pela E. Lockhart talvez eu não tivesse gostado tanto. Ela usa de metáforas que fogem completamente do clichê, tanto que há cenas em que é necessário uma segunda leitura para compreender o que é real e o que é metáfora. A autora descreve acontecimentos de um teor trágico e pesado de forma tão simples, singela e poética. Estou ansiosíssima para ler tudo o que for publicado de sua autoria.

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A leitura flui de forma muito fácil, tanto que terminei Mentirosos em menos de um dia. É uma história curta mas que há tanto para se absorver. Eu voei pelas páginas e quero fazer uma segunda leitura, em inglês dessa vez, para conseguir raciocinar melhor, absorver as informações de forma mais coerente e compreender mensagens passadas pela autora que talvez em uma primeira leitura eu não tenha compreendido. É um livro que acho que levarei para a vida toda.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

A Cabeça do Santo, da Socorro Acioli

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  • Título: A Cabeça do Santo
  • Autora: Socorro Acioli
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano de lançamento: 2014
  • Número de páginas: 168
  • Nota: quatro estrelas
  • Sinopse: “Sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel empreende uma viagem apé para encontrar o pai que nunca conheceu. Ele vai contrariado, apenas para cumprir o último pedido que a mãe lhe fez antes de morrer. Quando chega à cidade quase fantasma de Candeia, encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Coisas extraordinárias começam a acontecer depois que Samuel descobre ter o dom de ouvir as preces e os segredos do coração das mulheres das redondezas, que não param de reverberar dentro da cabeça do santo.”

Quero deixar bem claro que, apesar de ser amiga da Socorro, esta resenha será completamente imparcial. Mostrarei minhas opiniões e impressões como leitora, nada mais que isso. Comprei o livro no dia do lançamento, mas demorei para lê-lo pois coloquei outros na frente, para variar. Mas tenho que dizer que foi um ótimo jeito de terminar 2014, é um ótimo livro e que já está recebendo seus devidos méritos, como o fato de ter sido traduzido para a língua inglesa pela editora britânica Hot Key Books.

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Nessa obra temos personagens fortes e, diferentemente do que eu pensei, a religião não é a temática principal do livro, e sim a fé. O personagem principal, Samuel, passa por uma jornada de autodescoberta e questionamento de suas crenças. Outro tema tratado no livro foi o estado de negligência em que algumas cidades pequenas são deixadas por seus políticos.

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Amor e vingança são dois sentimentos muito marcantes durante a leitura e isso vai mudar o curso da história inteira. Na metade do livro você já está sem fôlego querendo saber como será o desfecho de cada personagem. O final me agradou, não foi feliz nem triste, mas eu sinto que haveria um ganchinho deixado ali para que houvesse mais história. Eu ficaria bastante satisfeita em ler mais sobre o Samuel.

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Uma coisa que eu gostei muito é que o livro é dividido em três partes, e no início de cada uma há uma citação que resume a “ideia” de cada parte. A minha favorita é uma que eu até já comentei aqui no blog em um post sobre epígrafes, que é do José Eduardo Agualusa.

“Se soubesses as coisas em que acredito, olharias para mim como se eu fosse, sozinha, um grande circo de monstros.”

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

The Statistical Probability of Love at First Sight, de Jennifer E. Smith

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  • Título: The Statistical Probability of Love At First Sight
  • Autora: Jennifer E. Smith
  • Editora: Poppy
  • Ano de lançamento: 2012
  • Número de páginas: 236
  • Nota: três estrelas
  • Sinopse: Quem poderia adivinhar que quatro minutos mudariam tudo? Hoje deveria ser um dos piores dias da vida da adolescente de 17 anos Hadley Sullivan. Tendo perdido o voo, ela está presa no aeroporto JFK e atrasada para o segundo casamento de seu pai, que ocorrerá em Londres e envolve a futura madrasta que Hadley nunca conheceu. Então ela conhece o garoto perfeito na área de espera do aeroporto. Seu nome é Oliver, ele é britânico e ele está sentado na mesma fila que ela. Uma longa noite no avião parra em um picar de olhos, Hadley e Oliver se perdem um do outro no caos do aeroporto depois que chegam. Será que a interferência do destino pode colocá-los juntos novamente? Ocorrendo em um período de vinte e quatro horas, esse é um romance sobre família, segundas chances e primeiros amores.

Comprei esse livro no primeiro semestre de 2013 porque estava em uma promoção e parecia ser bem fofo, mas acabei deixando-o na minha estante intocado. Esse ano, após sua tradução para o português, todo mundo começou a falar dele, e muito bem por sinal. Isso despertou novamente a minha vontade de lê-lo. Após ouvir comentários de booktubers, amigos e autores famosos, resolvi inclui-lo como minha primeira leitura da Maratona Literária de Verão.DSCF3995DSCF3998

Comecei super animada, e até a metade estava gostando bastante. A relação estabelecida entre Hadley e Oliver no avião é cativa o leitor, por que quem não sonha em viver uma situação dessas? Estava super entretida até esse ponto. Mas aí o avião pousa em Londres e foi a partir desse ponto que o livro começou a não me agradar mais. Sei que a proposta era de um romance água com açúcar, mas sinceramente achei que as situações começaram a se resolver facilmente demais, uma coisa bem sessão da tarde. Coisas que a protagonista tinha um ódio profundo rapidamente ela começou a simpatizar, sem nenhuma transição aparente.

Outra coisa que me desagradou foi a falta de profundidade na maior parte dos personagens. Eles são o que chamamos de personagens planos, por mais que eles tivessem histórias além do contexto principal, a autora não conseguiu me convencer da veracidade e profundidade daquilo. O Oliver, por exemplo, não tem desenvolvimento algum ao longo da história. Decepcionei-me bastante nesse quesito. Em contra partida, Hadley possui uma característica que a destacou de todas as outras personagens com que já me deparei: ela tem claustrofobia, e eu acho que a Jennifer E. Smith conseguiu colocar isso de forma a desenvolver uma personalidade para a Hadley. Me agradou bastante.

DSCF3996DSCF3991Não é um livro de todo ruim, obviamente, mas eu não o procuraria se estivesse a fim de ler algo com bastante desenvolvimento. É algo para se ler de uma sentada, mas não espere nada além de divertimento durante algumas páginas. Se eu não me engano foi confirmada a adaptação cinematográfica. Apenas tenho de esperar para ver se o filme me surpreenderá.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

25 Days of Christmas #24

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  • Título: Deixe a Neve Cair
  • Autor: John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle
  • Editora: Rocco
  • Ano de lançamento: 2013
  • Número de páginas: 335
  • Nota: quatro estrelas

Penúltimo dia de 25 Days of Christmas! Difícil de acreditar que esse é meu último post, o clima natalino foi tão bom. Hoje vim trazer uma resenha do livro Deixe a Neve Cair, dos autores John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle. É uma coletânea de três contos natalinos que se interligam em certo ponto. Já havia lido esse livro ano passado e comecei a tradição com um amigo de todos os anos relermos, um conto no dia 23, um no dia 24 e um no dia 25.

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É uma leitura super gostosa, confesso que havia comprado apenas pelo fato de o John Green ter escrito um conto, mas me surpreendi muito com a Maureen e a Lauren! Nunca havia lido nada dela,seus livros infelizmente ainda não foram publicados no Brasil, e adorei as histórias das duas, a da Maureen é a minha favorita, chamada “O Expresso Jubileu”. O livro inteiro tem um clima de felicidade, apesar das situações complicadas em que os personagens se metem. Ao final o leitor fica com um quentinho no coração.

Em nenhum dos contos tive a sensação de que o escritor estava correndo com a história por conta do número de páginas. Cada autor soube usar perfeitamente o espaço que lhe foi dado, escrevendo contos natalinos com começo, meio e fim, sem mais nem menos. Claro que todos são tão legais que eu ficaria completamente satisfeita se cada conto fosse um livro a parte.

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Podem colocar Deixe a Neve Cair na sua lista de próximas leituras para o Natal de 2015, vale muito à pena. Bom, é só isso por hoje, até mais! /Jadeh

25 Days of Christmas #18

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  • Título: Landline
  • Autora: Rainbow Rowell
  • Editora: Orion Books
  • Número de páginas: 310
  • Nota: quatro estrelas
  • Sinopse“Georgie McCool sabe que o casamento dela está passando por problemas. Está passando por problemas há um bom tempo. Ela ainda ama seu marido, Neal, e ele ainda a ama, mas isso já não parece ter importância agora. Dois dias antes de eles irem visitar a família de Neil em Omaha para o Natal, Georgie diz a ele que não pode ir. Ela é uma escritora de roteiros de TV e algo acontece em sua série; ela precisa ficar em Los Angeles. Georgie sabe que Neal vai ficar chateado, mas o que ela não esperava era que ele arrumasse as crianças e fosse sem ela. Quando seu marido e suas filhas vão para o aeroporto, Georgie se pergunta se ela finalmente fez isso. Arruinou tudo. Naquela noite, ela descobre um jeito de se comunicar com Neal no passado. Não é uma viagem no tempo, não exatamente, mas sente que lhe foi dada a oportunidade de concertar seu casamento antes mesmo de ter ocorrido. Será que ela deve fazer isso? Ou Georgie e Neal estarial melhores se o casamento deles nunca tivesse acontecido?”

Finalmente vou fazer a primeira resenha dos livros que chegaram do Book Depository! Escolhi Landline como leitura de dezembro depois que descobri que é um livro natalino – ou pelo menos uma história que se passa na época do Natal. Rainbow Rowell novamente se destacou entre as escritoras de YA contemporâneos por criar personagens tão cativantes e divertidos em uma história que trás angústia, mas no final esquenta seu coração. Achei interessante o fato de ela ter usado um elemento “mágico” para este livro, o telefone amarelo de Georgie que é sua conexão com o ano de 1998, pois é algo inédito para a autora.DSCF3877DSCF3974Georgie é uma personagem extremamente divertida a maior parte da história, por vezes bastante reflexiva, e eu me identifiquei com ela. O único ponto ruim é que depois que Neal vai embora, no início do livro, ela se degrada completamente. Acho que Georgie é uma moça forte o suficiente para que não tivesse se desfeito completamente, seu estado em várias partes da história é lastimável. Apesar disso, gostei muito dela, assim como do Neal, que é um amorzinho de pessoa, marido dos sonhos. Sim, a Rainbow Rowell é especialista em criar personagens masculinos apaixonantes. Bolei de rir com a Heather, irmã mais nova da Georgie, e com o Seth.DSCF3975DSCF3973Há questões bastante interessantes tratadas no livro, até sublinhei alguns trechos. Questões como: será que amar uma pessoa é suficiente? Em que ponto se deve desistir de tentar? Como fazer com que duas vidas completamente diferentes se juntem e entrem em harmonia? Em suma, Landline é uma história divertida, reflexiva e que vai aquecer seu coração não só no Natal, mas em qualquer época do ano.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh