Arquivo da tag: resenha

Seconds, de Brian Lee O’Malley

DSCF3943DSCF3944

  • Título: Seconds
  • Autor: Brian Lee O’Malley
  • Editora: Ballantine Books
  • Ano de lançamento: 2014
  • Número de páginas: 322
  • Nota: quatro estrelas

Sinopse: “Katie é a fundadora de um popular restaurante chamado Seconds, localizado em uma cidade sem nome, supostamente em Toronto, Canadá. Katie mora em um quarto no Seconds e uma noite é acordada por uma garota misteriosa de cabelos loiros chamada Lis, que dá a ela um bloco de notas, um cogumelo e instruções para serem seguidas para executar o feitiço de “fazer-novamente” e concertar erros do passado dela. Katie encontra mais cogumelos e os utiliza para concertar problemas relacionados a construção de um novo restaurante, o relacionamento com o ex namorado e evitar ferir sua melhor garçonete. Apesar de saber das regras de Lis sobre apenas um cogumelo por pessoa, Katie ignora os conselhos da garota e procura usar os cogumelos para transformar sua vida em perfeita, mas não intencionalmente acaba criando mais problemas.”

DSCF3945

DSCF3946

Li “Scott Pilgrim” no começo desse semestre e me lembro de ter me divertido pra caramba, bolei de rir em certas partes. Com “Seconds” não foi diferente, mas a história trás um tom mais de reflexão. Apesar de ter elementos mágicos, como um espírito da casa, a mensagem da HQ é referente a nossa realidade: não podemos simplesmente apagar o que já passou, nossas escolhas nos fazem quem somos. Encontrei este exemplar por acaso na Livraria Cultura, mas caso não encontre, pode procurar na Amazon ou Book Depository. Infelizmente, ainda não foi traduzido para o português.

DSCF3948DSCF3949

Os personagens são bastante cativantes. A Katie é uma chef de cozinha meio rabugenta, mas que tem umas tiradas sensacionais. Hazel, uma das garotas que trabalha com ela no restaurante, é uma garota muito doce, mas completamente introvertida e que acredita em magia. Max é o garoto misterioso do passado de Katie, e  Andrew é um chef de cozinha com quem Katie dá uns amassos de vez em quando. E Lis, a personagem causadora de toda a confusão, é simplesmente uma garota solitária que é o espírito da casa onde se encontra o restaurante Seconds.

DSCF3953DSCF3951

Já disse uma vez, mas repito: essa história é hilária! O humor de O’Malley é bem irônico, o que só torna a HQ mais divertida de se ler. Além disso, tem um “quê” de psicodelismo bem interessante. Não tenho muito mais o que dizer sobre a história, pois estragaria a experiência do leitor. O livro é em capa dura e tem uma mini jacket.  Apenas procurem por qualquer coisa do Brian, vocês não vão se arrepender! Estou louca para ler “Lost At Sea”, a primeira obra dele, publicada em 2003.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

 

Anúncios

As Quatro Estações e Outros Haicais, de Massau Simizo

DSCF3858DSCF3860

  • Título: As Quatro Estações e Outros Haicais
  • Autor: Massau Simizo
  • Editora: Aymará
  • Número de páginas: 59
  • Ano de lançamento: 2009
  • Nota: 4 estrelas

Desde que meu pai me apresentou os haicais através de Leminski, me apaixonei por esse estilo de poesia. São simples e rápidas de se ler, e há muitos aspectos interessantes neles. A sonoridade, os aspectos gráficos, a arte que sugere mais do que expressa. Recentemente o Hélio, do blog A Hora de Madrugar, me emprestou esse livro com haicais sobre as estações do ano e eu me apaixonei. Gostei tanto que quero roubar o livro e me mudar para a Indonésia e criar uma alpaca chamada Johnny.

DSCF3871DSCF3866

Deixando um pouco as fantasias de lado, esse livro é uma obra escrita por um autor brasileiro e que vai descrever a passagem por todas as estações. Os pássaros da primavera, o sol do verão, as folhas caindo no outono e o frio cortante do inverno. Uma das coisas que eu mais gostei é que ele usou árvores típicas da primavera oriental no início do livro, como ipês e cerejeiras, as quais eu acho simplesmente lindas.

DSCF3870DSCF3868

Além dos haicais sobre a passagem das estações do ano, há dois poemas rápidos no fim do livro, intitulados “Decasséguis” e “Saudade”, que é o meu favorito. E no início do livro há um poema lindo que define o que é haicai. Vou colocar aqui para vocês lerem um trecho.

Que é haicai?

É poema que eterniza

o momento breve.

Que é haicai?

É a menor morada,  onde

a poesia mora.

DSCF3864DSCF3873

Vale muito à pena, até pra quem não gosta de poesia, pois é muito leve e de rápida leitura.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

Por Isso a Gente Acabou, de Daniel Handler

DSC_0032

  • Título: Por Isso a Gente Acabou
  • Autor: Daniel Handler
  • Ilustadora: Maira Kalman
  • Editora: Seguinte
  • Número de páginas: 362
  • Ano de lançamento: 2012
  • Nota: 2,5 estrelas

Sinopse:  Quem nunca teve o coração partido? Min Green, uma garota aficionada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, está padecendo dessa dor. Depois de apenas algumas semanas de um relacionamento intenso com Ed Slaterton, que além de ser o melhor do time de basquete da escola é um gato, está sozinha e cheia de lembranças amargas. 

Para dar fim a esse sofrimento, ela decide entregar ao ex-namorado uma caixa repleta de objetos que de alguma maneira se tornaram significativos para o casal: ingressos de cinema, uma máquina fotográfica, um elástico de cabelo, um caminhãozinho de brinquedo, um pacote de camisinha, “todo suvenir de amor que a gente tinha, os prêmios e os destroços dessa relação, que nem confete na sarjeta depois que o desfile passa, o tudo e o não sei que mais chutado para o meio-fio”, como ela mesma define. 

Junto da caixa, Min deixa uma carta em que fala sobre cada um desses objetos, o episódio que eles representaram na história dos dois, sempre acrescentando novas razões para o rompimento. Esse é o texto de Por isso a gente acabou, que, narrado por uma adolescente de coração dilacerado porém com um ótimo senso de humor, é carregado de um tom informal e tragicômico, traduzindo com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação. 

Através desta carta febril, e também das ilustrações de Maira Kalman que reproduzem a atmosfera vibrante da narrativa, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min Green, sua tristeza, suas angústias e incertezas, e as idas e vindas desse romance, desde o dia em que os dois tomaram a primeira cerveja juntos até o instante em que tudo foi por água a baixo.

Talvez você tenha notado que a minha avaliação deste livro não foi a melhor possível. Mas calma, eu posso explicar o motivo.

A proposta do livro é ótima, mas eu não tenho certeza se ela foi bem executada (às vezes é bem difícil colocar as ideias no papel!). Os personagens parecem um pouco vagos, talvez por sabermos desde o princípio que o casal não vai ter um “felizes para sempre”. A Min tinha tudo pra ser uma daquelas protagonistas inesquecíveis que a maioria das pessoas gosta, sabe? Uma daquelas garotas interessantes, “das artes”, como o próprio Handler descreve. No entanto, ela se mostra tão complicada que a torna difícil de se identificar. Ao mesmo ponto que quer unir o grupo de amigos e o namorado, ela abre mão com certa facilidade daqueles que estiveram ali por ela em todos os momentos, incluindo quando o término acontece.

DSC_0035Além disso, eu gostaria que a carta se desenrolasse de uma maneira diferente. É um padrão, entende? O desenho do objeto, uma história relacionada a ele, alguma coisa, ainda que mínima, que deixou ela chateada. O único motivo grande mesmo só vem bem no final do livro, mas até lá a decepção já tinha acontecido.

Ainda que o Ed não tenha sido o melhor namorado do mundo, imagino que seria difícil para ele se manter acima das expectativas de Min e dos amigos. Não anula os atos dele, claro, mas nós só conhecemos um lado da história, o que me faz pensar como ele se sentiria vivendo seus dias com alguém totalmente diferente dele.

Mas claro que todo livro tem pelo menos uma parte boa. Para mim, neste foram as ilustrações. Maira fez um ótimo trabalho ilustrando os objetos que marcaram o relacionamento do casal.

DSC_0033

DSC_0034

DSC_0030

Pra finalizar, eu só queria lembrar vocês que essa é a minha impressão do livro e que não tem problema algum se a sua for diferente. Inclusive, eu adoraria saber o que você achou do livro, então sinta-se à vontade pra deixar sua opinião nos comentários.

Bem, por hoje é só. Até mais! /Vick

Por Que Indiana, João?, de Danilo Leonardi

DSCF3760

  • Título: Por que Indiana, João?
  • Autor: Danilo Leonardi
  • Editora: Giz Editorial
  • Número de páginas: 206
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: 4 estrelas

Sinopse: você pode pensar que, aos quinze anos, João já deveria estar acostumado com provocações, apelidos e humilhações. Afinal, ele é um típico adolescente deslocado e tímido. Alvo perfeito para a ira dos valentões e para o desprezo das garotas. Mas sua vida muda completamente quando reage a um ataque de seu maior algoz. O golpe de sorte que derruba o valentão é gravado e vira hit na internet. João se vê finalmente admirado, respeitado e seguro. Mas tudo tem seu preço e João vai aprender qual o peso que suas escolhas podem ter não só sobre sua vida, mas sobre as vidas de todos ao seu redor. “Por que Indiana, João?” é o livro de estreia de Danilo Leonardi, editor do canal “Cabine Literária” e parte de uma história quase comum para falar sobre algo que não deveria ser tão comum assim e que faz parte da vida de muitos adolescentes, jovens e até adultos: o bullying.

O Cabine Literária é um dos meus canais sobre literatura favoritos e praticamente acompanhei o processo de produção deste livro, desde que o Danilo, em seu canal pessoal, anunciou o projeto até o dia de seu lançamento. Devo dizer que, obviamente, fiquei muito interessada em lê-lo, principalmente porque o Danilo é uma pessoa que eu admiro bastante, as críticas e resenhas que ele faz para o Cabine são fantásticas. Algo que me chamou a atenção foi justamente o tema, bullying, pois apesar de ser muito debatido atualmente, praticamente não leio sobre. E tenho de bater palmas de pé, pois esse livro trouxe a temática em todas as suas formas: na visão da vítima, do agressor, das famílias, da escola e da imprensa.

DSCF3770DSCF3761

A leitura mexeu bastante comigo pois, apesar de não haver quase nenhum caso de bullying na minha escola, houve um menino que sofreu muito na minha sala e quase tomou as mesmas atitudes drásticas que alguns personagens tomaram, e isso me deixou bastante angustiada. Bateu aquele sentimento de “eu deveria ter feito alguma coisa”. E esse sentimento se intensificou ainda mais quando eu via que a escola do João não queria ou não sabia se posicionar com relação àquilo, os garotos sofriam na mão de outros e não recebiam nenhum suporte por parte dos colegas e/ou instituição. Para mim esse livro foi, em muitos aspectos, como um tapa na cara.

Danilo tem uma escrita rápida e fluida, fácil de ser lida, mesmo tratando de assuntos tão densos, por isso li-o em poucas horas. A questão da imprensa, internet e celebridade também foi um tema dominante durante a leitura, pois o João se torna praticamente de forma instantânea conhecido nacionalmente pelo vídeo e o herói de várias vítimas (algumas das quais até acabaram por desvirtuar a mensagem propagada por ele). Também é mostrado como esse meio de novidades instantâneas e fama pode modificar as pessoas, algumas escolhas podem levar ao caminho errado e depois de um tempo você não se reconhece mais.DSCF3764DSCF3766

A única observação que tenho a fazer é que o tempo no livro se passa muito rápido. Sei que vídeos virais que mudam a vida da pessoa realmente são de forma muito drástica e repentina mesmo, mas acho que para a minha leitura isso se tornou um pouco incômodo. Ao mesmo tempo, a rapidez dos acontecimentos fazia com que a todo momento algo diferente atiçasse minha curiosidade.

No geral, gostei muito do livro. Além da história densa, há algumas tiradas extremamente engraçadas que arrancaram gargalhadas de mim. Para quem procurar ler algo relacionado ao bullying mas que não caia no clichê e traga o assunto em todas as suas faces, recomendo fortemente. Se alguém tiver interesse de visitar o Cabine Literária, vou deixar o link aqui. O canal do Danilo é bem legal também, vale muito à pena dar uma conferida. Clique aqui para ver.

É só isso por hoje. Até mais! /Jadeh

As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky

DSC_0018

  • Título: As vantagens de ser invisível
  • Autor: Stephen Chbosky
  • Editora: Rocco
  • Número de páginas: 223
  • Ano de lançamento: 2007
  • Nota: 5 estrelas

Sinopse: Mais íntimas do que um diário, as cartas de Charlie são estranhas e únicas, hilárias de devastadoras. Não se sabe aonde ele mora. Não se sabe para quem ele escreve. Tudo que se conhece é o mundo que ele compartilha com o leitor. Estar encurralado entre o desejo de viver a sua vida e fugir dela o coloca em um novo caminho através de um território inexplorado. Um mundo de primeiros encontros amorosos, dramas familiares e novo amigos. Um mundo de sexo, drogas e rock’ n’ roll, quando o que todo mundo quer é aquela música certa que provoca o impulso perfeito para se sentir infinito

Este é provavelmente um dos melhores livros que eu já li, apesar de não ser o meu tipo de literatura favorito. O modo como Chbosky se comunica com o leitor é extremamente interessante. Descobrimos a história por meio de cartas enviadas por Charlie para alguém, mas o destinatário nunca é mencionado. Eu gosto de acreditar que seja para cada um dos leitores.

Nos achamos imersos no mundo de Charlie, um garoto que está chegando ao primeiro ano do ensino médio sozinho, após a morte de seu melhor amigo, e tenta sobreviver às situações que lhe são apresentadas. No entanto, o autor não pinta a realidade da maneira clichê que estamos acostumados a ler quando se trata da adolescência. Ele parece entender que nem sempre as coisas vão ser fáceis, que os sentimentos nem sempre são recíprocos e que um final feliz não se dá só por um casal apaixonado que vence as dificuldades para estar junto.

As vantagens de ser invisível trata de vários temas relacionados à juventude, como primeiros amores, amigos novos, drogas e até mesmo depressão.

DSC_0019

DSC_0021

Além disso, o livro conta com uma playlist fantástica, cita vários livros bons e recebeu uma adaptação cinematográfica em 2012, tendo no elenco atores como Logan Lerman, Ezra Miller, Emma Watson e Nina Dobrev.

A sensação ao terminar de ler é quase indescritível. Como se fosse uma mistura de vazio com uma vontade de viver dentro do livro pra sempre. Mas tudo isso de uma maneira boa. É por essas e outras que esta obra de Chbosky nos proporcionam uma experiência única que, na minha opinião, todo mundo deveria experimentar pelo menos uma vez na vida.

Fangirl, de Rainbow Rowell

DSCF3648

  • Título: Fangirl
  • Autora: Rainbow Rowell
  • Editora: Novo Século
  • Número de páginas: 421
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: 5 estrelas

SinopseCath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme. Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer; e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou na vida real. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto. Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências. Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

DSCF3651DSCF3659

Ler Eleanor & Park fez com que eu adorasse a Rainbow Rowell; mas foi com Fangirl que me tornei uma fã entusiástica da autora. A premissa não é surpreendente, mas há algo de inovador, pois não é comum encontrarmos uma personagem que seja um retrato tão fiel da realidade de vários adolescentes hoje em dia (sou uma dessas!), que passam horas na internet procurando informações sobre os livros que gostam e participando de fandoms.

Pode-se imaginar que me identifiquei muito com a Cath, protagonista desta história, pois todas as sensações que ela descreve ao falar sobre Simon Snow é o que eu sinto sobre minhas sagas favoritas. A Cath é uma garota super tímida e justamente por isso os desafios e conquistas do livro se tornam bem mais impactantes a medida que são enfrentados e vencidos. Separar-se da irmã gêmea, dividir o quarto com uma garota festeira, fazer matérias novas e lidar com a distância com o pai – todos esses aspectos compuseram a sua jornada durante o primeiro ano da faculdade, além de alguns outros desafios que foram surgindo ao longo do caminho. Fica até difícil de falar sobre o mocinho da história. Levi é um personagem cativante, adorável e presente no desenvolvimento do livro, da primeira à última página. Um fato que acho que algumas pessoas não vão gostar é que a fanfic que Cath escreve é sobre uma série fictícia idêntica a Harry Potter, e em um momento da história eles citam essa outra saga. Incomodei-me um pouquinho na hora que a referência foi feita, mas para ser bem honesta, achei irrelevante. Gostei bastante das partes em que a Cath narrava histórias de Simon e Baz!

DSCF3657DSCF3654

Outro aspecto que fez com que eu amasse o livro foi o fato de a personagem principal ser uma escritora de fanfics. Eu comecei a participar do meu primeiro fandom aos 11 anos, quando li “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, e a partir daí fazer parte de comunidades de leitores se tornou uma boa parcela da minha vida. Já escrevi algumas durante pouco mais de um ano e durante a leitura, bateu aquela nostalgia de ler os comentários e desenvolver as cenas entre os personagens. Para Cath, escrever sobre Simon Snow é a coisa mais importante e mágica de sua vida, e ela tem uma meta: terminar sua história, Vá Em Frente, Simon, antes do lançamento do último livro da saga. A pressão que ela coloca em si é algo que nos faz refletir sobre prioridades e o peso desnecessário que às vezes impomos nas coisas.

Apesar de não ser o livro mais criativo e bem escrito que eu já li, o carinho que desenvolvi por todos os personagens e pela história fez com que eu desse 5 estrelas. É uma leitura bem leve e divertida, e quem participar de algum fandom com certeza vai se identificar. Rainbow Rowell, estou esperando ansiosamente para poder ler mais livros seus. Empolguei-me tanto que acabei fazendo uma trilha sonora baseada na história! Quem tiver interesse em ouvir, pode clicar aqui e conferir.

DSCF3660DSCF3667

Ah, tenho uma notícia ruim. A Vick infelizmente não vai mais, por problemas pessoas, participar da equipe do Estante de Sorrisos. Mas eu vou continuar postando normalmente e sempre trazendo conteúdos novos para vocês.

É só isso por hoje. Até mais!

 

 

Cidades de Papel, de John Green

  • Título: Cidades de Papel
  • Autor: John Green
  • Editora: Intrínseca
  • Número de páginas: 361
  • Ano de lançamento: 2008
  • Nota: 4 estrelas

Sinopse: O adolescente Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sio outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo tornou-se um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava conhecer.

DSC_0204DSC_0202

 

O John Green entrou na minha vida em algum momento do ano passado e acho que é pra ficar. Todos os livros dele que eu li têm algo especial, pesquisado especialmente para aquela história, como a cultura relativamente inútil contida nas notas de rodapé de O Teorema Katherine, as últimas palavras de Quem é você, Alasca? ou todas as informações sobre câncer em A Culpa é das Estrelas.

Claro que com Cidades de Papel não seria diferente. Nele não só aprendemos o significado literal de “cidades de papel”, mas tentamos decifrar qual mensagem Green quer realmente nos passar ao longo do livro.

DSC_0209

 

— ESSE TRECHO PODE CONTER SPOILERS –

Relendo algumas partes para fazer essa resenha, notei como uma das partes do poema Canção de Mim Mesmo (citado no livro) se encaixa na jornada de Quentin pelas cidades de papel, buscando encontrar Margo.

Não me cruzando na primeira, não desista,

Não me vendo num lugar, procure em outro,

Em algum lugar eu paro e espero por você.

Esse trecho ilustra bem as tentativas frustradas de encontrar Margo nas cidades de papel e a espera dela em Agloe após o comentário no Omnictionary.

DSC_0207

— FIM DOS POSSÍVEIS SPOILERS –

DSC_0205 DSC_0206

 

Então, por hoje é só. Até a próxima! / Vick

O Quinto Beatle – A História de Brian Epstein

DSCF3195

  • Título: O Quinto Beatle – A História de Brian Epstein
  • Autor: Vivek J. Tiwary
  • Ilustrador: Andrew C. Robinson e Kyle Baker
  • Editora: Aleph
  • Número de páginas: 167
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: 5 estrelas

Sinopse: “se existiu um quinto beatle, ele foi o Brian.”  Em 1961, Brian Epstein, 27 anos de idade, entrou em um porão úmido de Liverpool para ver uma banda de rock desconhecida tocar – e nosso mundo mudou para sempre. O Quinto Beatle é a história real e nunca contada de Epstein: um conto sobre um visionário  genuíno que descobriu, empresariou e guiou os Beatles a um estrelato internacional sem precedentes, reescrevendo as regras da indústria da música pop no processo.

Sou fã assumida de Beatles desde o início da minha adolescência. Talvez até antes eu já tivesse tido contato com as músicas deles e não me dei conta, visto que meu pai também é muito fã. Os anos foram passando e eu fiquei cada vez mais interessada em ler sobre a história dos meus ídolos, não só ouvir as músicas. O Quinto Beatle é uma HQ fantástica que vai trazer a história do primeiro empresário da banda inglesa que conquistou o mundo.

DSCF3190 DSCF3175

Eu esperava uma história boa, mas acabei me surpreendendo bastante. Não conhecia praticamente nada sobre o Brian, e essa HQ trouxe a trajetória do empresário desde o dia em que descobriu os Beatles até a sua morte. Temos uma análise profunda da personalidade e dos anseios desse homem tão ambicioso. Brian não esperava apenas o sucesso, ele queria muito mais. Por mais discos que a banda vendesse, por mais shows que fizessem e por mais fãs que tivessem, nunca era o suficiente. Acompanhamos a carreira dos meninos e ao mesmo tempo a degradação do estado de saúde de Brian, que precisava cada vez mais de remédios para lidar com problemas de ansiedade causados pela busca interminável pelo estrelato e a luta com sua sexualidade- pois se assumir gay naquela época era estritamente proibido.

DSCF3194 DSCF3181

A história é repleta de simbologias muito bonitas e o roteiro trás narrações quase poéticas. As cenas finais me comoveram bastante. Uma das simbologias que mais gostei foi a personagem Moxie, que é assistente de Brian, pois acabamos nos questionando se ela é real ou apenas uma representação da ambição.  Terminei a história apenas com vontade de agradecer a esse homem por todas as suas realizações, pois acho que não existiria Beatles sem Brian. Eles estavam interligados de uma forma inexplicável.

A arte da HQ é muito bonita e cheia de cores. Muitas vezes me peguei olhando por vários minutos para a mesma página, apenas admirando os desenhos. Nesse momento, estou aplaudindo Andrew Robinson de pé. Como disse antes, o roteiro é muito bem elaborado, engraçado nos momentos certos, dramático em outros e poético nas cenas finais. Indico essa história para qualquer beatlemaníaco.

DSCF3182 DSCF3197

Até mais! /Jadeh

 

 

Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira

DSCF3149

  • Título: Cartas de Amor aos Mortos
  • Autora: Ava Dellaira
  • Editora: Seguinte
  • Número de páginas: 337
  • Ano de lançamento: 2014
  • Nota: 3 estrelas

Sinopsetudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger…apesar de ela jamais entregá-las à professora. O que parecia uma simples lição de casa logo se transforma na maneira de Laurel lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com a família despedaçada depois da morte da irmã.

Entrei em contato com esse livro pela primeira vez em um evento da Editora Seguinte e fiquei super animada para ler logo que vi o título. Meses se passaram e eu estava na expectativa, até que ganhei de aniversário. Já tinha visto várias resenhas positivas sobre esse livro e acho que fui com as expectativas meio altas, e sei que esse é o primeiro romance da Ava, mas não pude deixar de ficar decepcionada.

DSCF3159 DSCF3153

A primeira coisa que tenho a comentar é que esse livro tem inúmeras semelhanças com As Vantagens de Ser Invisível, que é uma das minhas obras favoritas. Não acho errado um livro ter semelhanças com outro, porque sei que é quase impossível um autor ter uma ideia que seja 100% original, mas as similaridades eram tantas que me incomodaram. E comecei a questionar qual foi a participação do Stephen Chbosky nessa história, já que ele foi mentor da Ava Dellaira enquanto ela escrevia o romance.

Abuso sexual, relacionamento homossexual, personagens principais extremamente ligados a alguém que já morreu e se culpam por essa morte, agressão física. Todos esses temas são abordados em ambos os livros e em situações bastante parecidas. Mas diferentemente de Chbosky, a Ava não soube dar uma boa finalização para todos esses temas. Alguns foram resolvidos de forma muito abrupta ou superficial, o que para mim fez com que o livro perdesse pontos.

A protagonista tem muitas falhas, mas duas me incomodaram especialmente: ela se coloca em muitas situações de perigo desnecessárias apenas para ser “salva” pelo mocinho da história, o Sky. Falando nele, achei que a Ava explorou pouquíssimo do potencial do personagem, ele acaba de tornando muito superficial e não faz sentido para o leitor o porquê de a Laurel ser tão apaixonada por um garoto que ela não conhece de verdade. O outro ponto que me incomodou foi a obsessão quase psicótica que a Laurel tem pela irmã dela. A maior parte do livro ela passa se comparando à irmã, lembrando das atitudes dela, querendo chegar ao estado de perfeição que ela achava em que a May vivia.

Com relação à estrutura: senti falta de datas nas cartas, assim o leitor teria mais facilidade em se situar em que época do ano ela estava. Também achei que a Ava quis passar que o livro era “cult” e colocou mil referências aos anos 80 e 90, até no modo que os personagens agiam, e para mim ficou meio forçado.

DSCF3155 DSCF3144

Apesar de todas essas coisas que eu falei, o livro não é de todo ruim. É uma leitura fluida e bem simples, boa para passar o tempo. A protagonista, apesar de passar boa parte do livro tentando alcançar o estado de perfeição da irmã, no final acaba reconhecendo que todos temos falhas, o que é bem bacana.  Em suma, minha opinião sobre Cartas de Amor aos Mortos é: uma boa proposta, mas que não foi bem desenvolvida. Os direitos da obra já foram comprados para o cinema e estou esperando ansiosa por um filme com uma boa trilha sonora.

Por hoje é só. Até mais! /Jadeh

 

Julieta Imortal – Stacey Jay

DSC_0148 DSC_0149

Você certamente conhece Romeu e Julieta, a história mais famosa de Shakespeare, escrita no século XVI. Mas e se tudo fosse uma grande farsa? E se, na verdade, Romeu tivesse assassinado Julieta?

É nessa hipótese que se baseia Julieta Imortal.

Na história de Stacey Jay, Romeu, para se manter vivo ao longo dos séculos, se torna um mercenário. Para tanto, ele tem que que conduzir o amor de sua vida à morte. Quando está quase morrendo, Julieta faz os votos e se torna uma Embaixadora, assim, de tempos em tempos, toma o corpo de alguém emprestado por algumas semanas para servir à causa.

Sua missão é encontrar duas almas gêmeas e tornar o laço afetivo das mesmas inquebrável, enquanto Romeu deve juntar almas para servir aos mercenários, da maneira que ele próprio fez há anos atrás.

É assim que ambos chegam ao século XXI, nos corpos de Ariel e Dylan, tendo que identificar quem são as almas gêmeas próximas aos mesmos e juntá-los (ou corrompê-los, no caso de Romeu).

Os capítulos são narrados por Julieta, com flashbacks ocasionais. As características dos personagens são marcantes e modo como Jay escreve é leve, o que faz com que esta seja uma leitura rápida e bastante agradável.

Além disso, Julieta Imortal conta com uma continuação, Romeu Imortal, que muda a forma que entendemos Romeu. Mas isso é assunto para um próximo post.

E você? Já leu Julieta Imortal ou ficou com vontade?

Comenta aqui em baixo o que você achou e sinta-se à vontade para sugerir novas resenhas e posts em geral.